POÇOS - Prazo das obras no Palace é estendido

Orçada em R$ 5 milhões, a obra de restauração do prédio do Palace Casino está sendo realizada com recursos do governo do Estado e com prazo para execução de 18 meses, que já foi ampliado.
De acordo com a Secretaria Municipal de Planejamento, as obras devem ficar prontas apenas em agosto do próximo ano. A explicação é a descoberta do antigo teatro onde ficava a Boate Azul. A secretária Cibele Benjamin explica que com a volta do antigo teatro, a aprovação por parte do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha) levou algum tempo, o que obrigou a obra a ser estendida em mais meses. “A ideia inicial é reinaugurar em agosto do próximo ano, mas ainda não tem nada fechado e nem reprogramado”, destaca.
Quem está executando a obra é empresa Arta, de Belo Horizonte, vencedora do processo licitatório realizado pela Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig). A companhia é a detentora do prédio, administrado pela prefeitura.
A descoberta do teatro aconteceu há um ano, na área que já é tida como a de maior intervenção das obras, quando, ao escavarem o piso do antigo teatro notou-se que o mesmo foi concretado de forma a facilitar a visão de palco e ainda encontra-se intacto, diferente da estrutura que mantém o piso falso da boate, que está comprometida.
Todos os adornos do antigo teatro, que tem a 5a boca de palco mais alta do Brasil, um fosso de orquestra e um pé direito com 17 m de altura, ainda estão inteiros, inclusive o teto, que a Comissão de Fiscalização da prefeitura e também do Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Cultural e Turístico de Poços de Caldas (Condephact) acredita ter sido destruído num incêndio em 1946.
O projeto, aprovado pelo Iepha, foi desenvolvido pela Nexo Arquitetura, contratada pela Secretaria Municipal de Planejamento.
A restauração tem como objetivo dar uma melhor forma de uso ao prédio, construído em 1928, o que, segundo o Condephact, impulsionou o crescimento da cidade por conta da época dos cassinos. Com exceção do trabalho que será feito onde era a boate e será reconstruído o teatro, o processo de demolição, desmonte e restauro já foi feito, bem como o encontro das cores reais das tintas das paredes.
A última reforma do prédio aconteceu em 1992, no entanto, durante esse restauro, segundo o engenheiro, cerca de 18 repinturas e oito cores diferentes foram encontradas nas paredes do tradicional Salão Azul, mas as janelas do mesmo salão não serão reaproveitadas e haverá substituição.
Um ponto positivo para o restauro é que toda matéria-prima é recuperada, ou seja, nada é jogado fora.
Para seguir o plano de reforma, que é deixar o Palace o mais próximo possível do original, parafusos, dobradiças e pequenas peças foram separados num almoxarifado criado dentro do prédio especialmente para isso.
Como algumas pequenas alterações devem ser feitas nos lustres, já desmontados, até os vidros quebrados são mantidos para que sejam consertados e restaurados.
As portas e passagens também devem seguir os originais e até uma marcenaria foi montada dentro do prédio, para que a madeira seja restaurada e volte aos locais de origem.
Outro destaque é que todo material de construção que pode ser reaproveitado a Codemig doa para a prefeitura, que repassa ao projeto SOS Construção.
“Como o projeto já estava pronto e houve a necessidade de reescrever algumas partes e incluir o teatro, há então esse atraso, que já estava dentro do cronograma”, explica Cibele.
Ela ressalta ainda que o restante da obra, que compreende a outra parte do prédio, com o salão nobre e demais setores, deverá ficar pronto dentro do cronograma inicial, ou seja, no próximo mês de outubro.


Jornal da Mantiqueira

 


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