MINAS - Roubo de R$ 45 milhões revela face cruel do "novo cangaço"

 

O roubo de pelo menos R$ 45 milhões da transportadora de valores Embraforte, no Bairro Ouro Preto, no sábado, pode ser mais uma ação de bandos formados por criminosos de vários estados, fortemente armados, num modelo de atuação que os policiais chamam de “novo cangaço”. Uma das linhas de investigação seguida pelos policiais que tratam do caso é justamente esta, como informa o delegado Islande Batista. “Todos os reféns ouvidos deram a mesma informação sobre os sotaques, que seriam de paulistas e cariocas”, afirma o chefe do Departamento de Investigações de Crime Contra a Vida. Ele acrescenta que as vítimas também identificaram sotaque de mineiros. Além disso, o armamento pesado, inclusive granadas, a alta preparação para o crime e a tática da tortura psicológica, com ameaças a parentes, indicam a familiaridade do crime com os assaltos violentos praticados anteriormente no estado.

A denominação novo cangaço é uma referência às táticas usadas pelos cangaceiros nas décadas de 1920 e 1930, e que foram copiadas pelos grupos que agiram em Minas nos últimos anos. É a mesma estratégia de quadrilhas interestaduais, responsáveis por ataques a agências bancárias do interior de Minas Gerais. Armamento pesado, funcionários e familiares rendidos, violência psicológica, planejamento rigoroso e ousadia são componentes comuns em crimes do gênero. Outra semelhança é que a maioria dos criminosos, embora seja de outras regiões, atuou com a ajuda de bandidos locais.

Uma das ações mais espetaculares ocorridas em Minas aconteceu em janeiro de 2007, nas regiões do Alto Paranaíba, Vale do Rio Doce e no Noroeste mineiro. Em menos de 24 horas, seis bancos foram assaltados nas cidades de São Gotardo, Tiros, Brasilândia e São José do Maranhão.


Estado de Minas

 


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