Sesc Poços de Caldas faz exposição de tapeçarias do artista têxtil mineiro, Éder Rezende

Sesc Poços de Caldas faz exposição de tapeçarias do artista têxtil mineiro, Éder Rezende

Atualizado em 27 de fevereiro de 2026

Mais de 30 obras em tapeçarias contemporâneas ficarão em cartaz de 28 de fevereiro até 25 de maio

O Sistema Fecomércio MG, por meio do Sesc Poços de Caldas, realiza a Exposição “Tapeçarias de Éder Rezende”, que apresenta a trajetória enquanto artista têxtil mineiro, filho de tapeceiro poços-caldense e que utiliza técnicas milenares e contemporâneas para a criação de tapeçarias únicas. A exposição gratuita estará aberta ao público, de segunda a sábado, das 9h às 21h, até o dia 25 de maio.

Tudo tem uma história, um motivo e um porquê. O artista têxtil e jornalista, Éder Rezende, vai justamente atrás dessas três perguntas para criar tapeçarias e transformar inspirações em obras de arte orgânicas, autênticas e que tragam felicidade. Depois de quase duas décadas afastado da tapeçaria, ele retorna às suas raízes e funda o segundo ateliê, agora em Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais. Os fios, que sempre fizeram parte de sua vida, voltam em cores, formas e texturas para ocupar paredes, salas e até se transformar em peças de vestir.

Éder é filho de tapeceiro e cresceu pulando sobre rolos de carpete na loja Mantiqueira, fundada por seu pai há mais de 40 anos. Passou a juventude vendendo tapetes industrializados e artesanais – de sisal, persas, chineses e tantos outros. Hoje, revisita esse universo com técnicas contemporâneas, com a pistola de tapeçaria Tufting Gun, aliadas à bagagem acumulada em arte, cultura, design e jornalismo.

“Acredito que, antes de qualquer ponto, é preciso ouvir e decifrar desejos. Assim, crio tapeçarias únicas, inspiradas na arquitetura de Oscar Niemeyer, nos jardins de Burle Marx, nas músicas de Maria Bethânia, Caetano Veloso e David Bowie, nos acordes de Freddie Mercury e até nas críticas de Banksy”, diz o artista têxtil mineiro.

Antes de abrir o ateliê, Éder viveu muitas vidas. Formado em Jornalismo, construiu sólida carreira na Comunicação Corporativa, chegando a ser um dos assessores de imprensa mais procurados do Brasil, quando representava a vacina da Pfizer em plena pandemia. Morou em São Paulo, em Salvador, depois em Londres, mergulhando em museus como Tate Modern e British Museum, além de acompanhar de perto a Bienal de Veneza, em 2019.

A arte de criar, vender e se comunicar sempre lhe foi visceral. Mas, após quase 20 anos no mercado de Comunicação e uma volta ao mundo, precisou se reinventar. Um grave acidente de carro interrompeu sua trajetória, enquanto morava no Rio de Janeiro e estava indo visitar seus pais na terra natal. Depois da recuperação, agora com platinas no joelho e cotovelo, reencontrou no tear uma nova forma de expressão e de vida.

Hoje, cada fio que tece é também um fio de história: pessoal e coletiva. Um trabalho que carrega memória, estética, afeto e a marca de um verdadeiro contador de histórias, por meio dos fios de lã.

“Tapeçarias orgânicas, com histórias, contos, causos, deslizes, risadas, choros e superação. A minha pesquisa nasce nos museus e galerias de arte espalhadas pelo mundo inteiro”, pontua o artista têxtil.

Homofobia fez Éder se esconder em museus

“Eu era afeminado quando criança e para fugir da agressão física e mental (homofobia) dos moleques da escola me escondia dentro dos museus”, relembra. Desde criança, o local que ele mais gostava de frequentar eram os museus. Queria entender o porquê de existirem, de serem gratuitos e de reunirem tantas obras maravilhosas penduradas nas paredes”.

“Sempre fui apaixonado pelo mundo da arte. Quando adolescente, vivia dentro do Instituto Moreira Salles (IMS), não perdia nenhuma exposição e estava presente em quase todos os filmes. Quando morava em São Paulo, nada mudou. Virou rato de vernissage e exposições espalhadas pelo MASP, Pinacoteca, Museu da Imagem e do Som, Instituto Itaú Cultural, Paço das Artes, Museu Afro Brasil e Casa das Rosas.

Dedicatória de João Candido Portinari

Já formado em Jornalismo e morando em São Paulo, ele sabia de cor as exposições e quando aconteceria cada vernissage. A dedicação foi tanta, que conseguiu estar na estreia da exposição “Guerra e Paz, de Portinari”, no Memorial da América Latina, em abril de 2012.

Éder tem a edição do livro com dedicatória de João Candido, filho de Portinari. “Ninguém imaginava que Guerra e Paz pudessem, um dia, sair da sede da ONU, em Nova York e voltar para o Brasil”, pontua o artista têxtil poços-caldense.

Em 2016, quando se mudou da capital paulistana para a soteropolitana, o gosto por estar presente em museus se manteve. Os finais de semana, além de regados na praia e no mar, incluíam o Solar do Unhão, Cidade da Música da Bahia, Museu do Mar, Casa do Carnaval da Bahia, entre tantos outros.

Rato de museu mundo afora

Todas as viagens internacionais que fez por 17 países sempre foram motivadas para conhecer museus e a cultura local. Ele diz que não sabe de cor quantos museus conhece, mas acredita ser quase uma centena. O que mais marcou e, gostaria de voltar, é o Tate Modern Art, em Londres, onde morou por um ano e o visitava semanalmente.

Éder já subiu as montanhas de Machu Picchu, no Peru, passou por de baixo do Arco do Triunfo, em Madri, ficou de ponta cabeça na frente do Louvre e da Torre Eifel, em Paris e do Museu de Van Gogh, em Amsterdã. Conheceu o Muro de Berlin, na capital da Alemanha e esteve presente no Park Guel, em Barcelona. Além de templos budistas na Tailândia e vulcões nas ilhas Canárias, em Tenerife.

“Sou viciado por museus onde quer que eles estejam. Acredito que virei artista de tanto visitá-los e entender que esse é um dos espaços mais transformadores culturalmente para nós enquanto seres humanos”, finaliza Éder Rezende.

Junção de técnicas milenares e contemporâneas em tapeçaria

Ponto arraiolo, bordado à mão e técnicas contemporâneas fazem parte do seu trabalho em tapeçaria. Uma das principais ferramentas que utiliza é a pistola elétrica, conhecida como Tufting Gun, que possibilita a criação de tapeçarias com formatos e texturas únicas. Além disso, trabalha com a pistola pneumática AK-3, conectada a um compressor de ar de alta pressão. Trata-se de uma ferramenta dominada por pouquíssimos artistas têxteis no Brasil, devido à sua alta complexidade e pelo fato de ser importada.

Tatuagem de um fio de lã que conecta a sua mão à sua mente

Recentemente, o artista têxtil mineiro fez uma tatuagem de um fio de lã que conecta a sua mão à sua mente. Nascido no dia 15/05/1986, é taurino com ascendente em câncer.

Católico, batizado e crismado. Filho de Oxalá com Oxóssi. Reikiano nível 3. Já fez yoga e faz pilates. Frequenta terreiros de umbanda e candomblé. Adora acordar cedo e ouvir Djavan, Maria Bethânia e Caetano Veloso. Tem outra tatuagem escrita “Bahia, onipresentemente”, letra da música “Vaca Profana”, cantada por Gal Costa.

Seus pais nasceram na zona rural de Congonhal, pequena cidade do Sul de Minas. Éder tem mais de 70 primos. Após o acidente de carro, sua nova data de aniversário é 20 de Janeiro, Dia de São Sebastião e Oxóssi.

Polo cultural: Poços de Caldas, no sul de Minas

Folia de Reis, Festa de São Benedito com ternos de congos e caiapós. Julho Fest, com inúmeras atividades artísticas, além de um celeiro de escritores e artistas renomados. Éder tem o privilégio de ter nascido em Poços de Caldas, cidade sede do Instituto Moreira Salles (IMS), que ainda era vizinho e passava na porta duas vezes por dia, para ir e voltar da escola quando criança.

Curadoria assinada por Dalmoni Lydijusse – artística premiada pelo Governo de Minas

A artista plástica em pluri linguagens, professora, atelierista, produtora cultural e responsável pelo Arte Ziriguidum é a curadora da 1ª Exposição de Tapeçarias de Éder Rezende.

Ficha Técnica:

Exposição: Exposição Tapeçarias de Éder Rezende

Data: 28/2 até 25/5 Localização: Sesc Poços de Caldas

Endereço: Rua Paraná, 229

Curadoria: Dalmoni Lydijusse

Coordenação de Projeto: Maira Leda de Almeida Carvalho

Contato:

E-mail: art.eder.rezende@gmail.com

Instagram: @ederrezendeartistatextil

Facebook: Éder Rezende Artista Têxtil

LinkedIn: éder rezende, ARTISTA TÊXTIL MINEIRO

WhatsApp: (35) 98406-8495

 

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